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Kimono de Jiu-Jitsu: Como Escolher o Primeiro Sem Errar

Por Gilberto Amancio · 23 de julho de 2026 · ~8 min de leitura
Kimono de Jiu-Jitsu: Como Escolher o Primeiro Sem Errar

Um bom kimono de jiu-jitsu para iniciante precisa de três coisas, tecido trançado leve no paletó, calça reforçada em ripstop ou sarja, e gramatura entre 350 e 450 g/m², nada além disso é necessário no primeiro ano de treino. O erro mais comum acontece do lado oposto ao que a maioria imagina, comprar caro demais achando que peça de competição de alta gramatura vai durar mais no treino diário, quando na prática ela pesa mais, seca mais devagar e custa de três a cinco vezes mais sem entregar benefício real pra quem ainda está aprendendo a base.

O que faz um kimono aguentar o tranco do dia a dia

Gramatura é o peso do tecido por metro quadrado, e ela determina resistência à pegada e ao puxão. Kimonos de entrada costumam ficar entre 350 e 400 g/m², suficiente para suportar raspagem, guarda e finalização sem rasgar. Peças de competição de alto nível chegam a 500 e até 750 g/m², mas esse peso extra existe pra resistir à pegada de um adversário de nível avançado tentando quebrar sua postura, não pra durar mais lavagem. Para quem está começando, gramatura alta só significa mais calor, mais peso morto e mais tempo secando depois do treino.

O tecido do paletó quase sempre é algodão trançado, a diferença entre os níveis é a espessura da trama, não o material em si. Trançado leve é a escolha certa pro primeiro kimono, ele já aguenta puxão de guarda e mounted sem rasgar, e ainda permite treinar em dias quentes sem a sensação de estar puxado dentro do fole.

Trançado ou ripstop na calça, o que muda de verdade

A calça sofre um tipo de desgaste diferente do paletó, ela raspa no tatame, dobra no joelho centenas de vezes por treino e recebe puxão direto de raspagem. Por isso a recomendação técnica muda, ripstop, o mesmo tecido usado em farda militar, ou sarja resistente são as opções certas, ambos aguentam esse atrito sem furar no joelho depois de poucos meses. Calça em algodão trançado comum, o mesmo do paletó, tende a furar exatamente na altura do joelho de quem treina raspagem com frequência, é a reclamação mais repetida em relatos de compradores de kimono de entrada muito barato.

Como identificar qualidade real, sem se enganar só pela foto do anúncio

Foto de anúncio mostra cor e corte, não mostra costura. Costura dupla na gola, na cava da manga e na virilha da calça é o que primeiro cede quando o kimono apanha puxão forte de raspagem, vale checar nas fotos adicionais ou na descrição se o fabricante menciona reforço duplo nesses três pontos.

A gola merece atenção à parte, ela recebe o maior volume de pegada durante o treino inteiro. Gola com enchimento em EVA firme, sem ficar mole depois de algumas lavagens, é sinal de peça bem construída, enquanto gola fina tende a perder a forma rápido mesmo em marca conhecida.

Vale desconfiar de anúncio com preço muito abaixo da média de mercado para a gramatura anunciada, esse tipo de discrepância costuma indicar peça sem certificação de origem clara. Preferir vendedor com histórico de avaliação real e fotos próprias do produto reduz bastante esse risco.

Cor não é só estética se você pensa em competir

Para treino, qualquer cor serve. Para competição sob regras da IBJJF e da maioria das federações que seguem o mesmo padrão no Brasil, só três cores são aceitas, branco, azul royal e preto, sempre uniformes, sem misturar paletó de uma cor com calça de outra. Se existe qualquer chance de você competir no primeiro ano, vale comprar direto numa dessas três cores, evita a frustração de descobrir isso na pesagem e ter que comprar um segundo kimono às pressas.

A faixa também segue regra, largura entre 4 e 5 centímetros, e a ponta depois do nó precisa ficar preta em qualquer graduação, exceto na faixa preta. A maioria dos kimonos de entrada já vem com faixa branca inclusa, adequada pra quem está começando.

A fiscalização de mesa em competição confere mais detalhes do que a maioria imagina antes da primeira inscrição, gola, manga e o que vai por baixo do kimono também entram na checagem. O resumo visual abaixo cobre os pontos que mais pegam atleta de surpresa.


Kimono da própria academia ou comprado à parte

Boa parte dos dojos e academias de jiu-jitsu no Brasil vende modelo próprio, geralmente já com o escudo da equipe bordado no peito e nas costas. Para quem está começando, essa costuma ser a opção mais simples, o professor já sabe o tamanho certo pelo próprio olho e o preço tende a ser justo porque a academia compra em lote. A limitação é a variedade, geralmente só uma ou duas opções de tecido e gramatura, sem o leque de marcas que se encontra comprando por conta própria.

Comprar fora da academia faz mais sentido quando o aluno já sabe o que procura, um tecido específico, uma segunda peça de rotação, ou já pensa em competir e precisa de cor oficial que a academia não oferece. As duas opções são válidas, a maioria acaba tendo pelo menos um kimono de cada tipo ao longo do tempo. Cabe validar com a instituição escolhida para os treinos se aceitam kimonos que não sejam os próprios no local.

Vale lembrar também que existem modelos específicos para corpo masculino e feminino, além da simples questão de tamanho. O corte feminino costuma ter cava de manga mais estreita e cintura mais ajustada, o que evita o problema comum de kimono masculino ficar largo no ombro ou curto na perna quando usado por corpo feminino, e vice-versa. 

Quanto investir no primeiro kimono

A lógica de custo-benefício aqui é direta, o kimono de entrada, trançado leve com calça ripstop, custa uma fração do modelo de competição de alta gramatura e resolve exatamente o que o iniciante precisa, resistência suficiente pra treino recorrente sem peso e calor desnecessários. Guardar o investimento mais alto para quando você já souber se vai competir, e em qual categoria de peso, evita comprar um segundo kimono de competição sem nunca ter usado o primeiro até o fim.

Como cuidar do kimono para ele durar mais

Lavar o kimono imediatamente depois do treino, nunca deixar dentro da mochila fechada até o dia seguinte, é o cuidado mais simples e mais ignorado. Suor parado no tecido por horas cria mancha permanente e acelera o desgaste da fibra. Lavar em água fria ou morna, nunca quente, preserva a cor e evita encolhimento além do já esperado na primeira lavagem.

Secar à sombra em vez de no sol direto ou na secadora preserva a cor e evita que o tecido fique rígido demais. Secadora costuma ser a causa mais comum de encolhimento fora do previsto pelo fabricante, o calor direto contrai a fibra do algodão de forma irregular.

Ter dois kimonos em rotação, mesmo que o segundo seja o de entrada mais básico, evita treinar com peça ainda úmida e estende a vida útil de cada peça, já que o desgaste por lavagem se divide entre as duas.

O que fica desse artigo

O primeiro kimono não precisa impressionar ninguém no tatame, precisa aguentar o volume de treino que você vai fazer nos primeiros meses sem rasgar, sem pesar demais e sem custar o preço de uma peça de competição que você ainda não sabe se vai usar. Trançado leve no paletó, ripstop ou sarja na calça, gramatura entre 350 e 450 g/m², essa combinação resolve o essencial. O resto, gramatura mais alta, corte de competição, tecido premium, faz sentido quando a rotina de treino e o objetivo de competir já estiverem claros, não antes.

Perguntas frequentes

Preciso comprar kimono de competição já no início?
Não. Kimono de competição de alta gramatura resolve um problema que o iniciante ainda não tem, resistir à pegada de nível avançado. No primeiro ano, um trançado leve com calça ripstop entrega tudo que é necessário.

Kimono branco suja e mancha mais rápido que os outros?
Sim, mancha aparece mais visível no branco, mas a durabilidade do tecido é a mesma independentemente da cor. Se a preocupação é estética, azul royal ou preto disfarçam mancha melhor no dia a dia.

Qual tamanho de kimono comprar considerando que ele encolhe?
Siga a tabela de medidas específica da marca escolhida, o encolhimento varia entre fabricantes. Como regra geral, evite comprar um tamanho inteiro acima só por precaução, isso costuma resultar em kimono largo demais mesmo depois de lavado.

Existe diferença entre kimono de jiu-jitsu e o de judô?
Sim. O kimono de judô costuma ter tecido ainda mais grosso e reforçado, pensado pra suportar projeção e queda, enquanto o de jiu-jitsu prioriza mobilidade pra guarda e transição no chão. Usar um pelo outro funciona em treino casual, mas não é o ideal pra nenhuma das duas modalidades a longo prazo.

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